Nas proximidades da miséria, Jean Dubuffet conseguiu um inédito comprador para suas pinturas: o arquiteto Le Corbusier. Dubuffet desconfiava da civilização. Ele queria explorar os monstros indomados do subconsciente. Em vez das fontes acadêmicas da tradição ocidental, ele tentava entender os procedimentos artísticos dos loucos, das
crianças. Em vez da tinta a óleo, preferia pigmentos misturados com vidro, tecidos, botões, cinza, areia, terra. Não lhe interessava uma arte apenas agradável. A aridez rudimentar do seu desenho destacava a lentidão e a dificuldade criativa, o que o afastava dos gestos vigorosos dos expressionistas abstratos.
As aquisições influenciariam parte significativa da arquitetura mundial nas décadas de 1950 e 1960. Le Corbusier também mostrava-se cada vez mais desconfiado da civilização industrial que ajudara a criar. Depois de dominar a arte da construção, ele indagava-se a respeito dos eternos medos e desesperos do ser humano. As pinturas de Dubuffet confirmavam a opção de recusar as facilidades projetuais. E as texturas informais do pintor levaram à opção de transformar as faces de concreto armado em grandes painéis artísticos, nos quais as marcas das fôrmas de concreto deixado à mostra eram incorporados ao resultado final. Surgia, assim, uma das características mais marcantes do brutalismo.
Irã Taborda Dudeque
