IRÃ DUDEQUE, MODERNISMO E BRUTALISMO

Publicado: fevereiro 1, 2011 em Notícias
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Foto: Iraisi Gehring

Irã Dudeque é historiador, arquiteto e autor do livro Espirais de Madeira, que conta a história das residências modernas de Curitiba. Nós entrevistamos Dudeque na biblioteca da PUC, onde ele também é professor.

Qual a relação que o brutalismo tem com o modernismo na arquitetura?

Existe uma tendência na arte, da busca do virtuosismo, em todos os períodos históricos. Com a arquitetura moderna aconteceu a mesma coisa. Num primeiro momento existe a tentativa de organizar uma linguagem. É a geração da década de 1920. Estavam inventando uma arquitetura, estavam simplificando arquitetura histórica, buscando a essência daquela arquitetura e ai chega-se em algumas fórmulas daquilo que seria a nova arquitetura, simplificada: pilotis, grandes armações de concreto, o uso de janelas. A medida em que o tempo vai passando, essa formula começa a se tornar mais complexa, começam a surgir elementos como, por exemplo, uma escada, que num primeiro momento serve pra levar uma pessoa de um nível até o outro, a medida em que o projeto modernista vai se desenvolvendo, as escadas vão se tornando mais complexas, então os arquitetos passam a elaborar projetos específicos pra essas escadas. O pilar, que no primeiro momento serve apenas para sustentação do edifício, passa a haver projetos específicos para esse pilar. O Brutalismo pode ser considerado um virtuosismo da arquitetura moderna, extremo da arquitetura moderna. O arquiteto modernista vai fazer um prédio, o edifício necessita de dezesseis pilares. Ele ergue esses dezesseis pilares e a caixa do edifício é resolvida a partir disso. O Brutalismo, mais virtuosístico, tenderá a pensar: mas por que dezesseis pilares? Por que não fazemos com oito, com quatro, com dois ou eventualmente por que não fazemos um edifício com pilar único que resolva todas as questões? Esse pilar vai subir e vai ser circulação e vai ser estrutura ao mesmo tempo e os elevadores passaram por dentro dele. É lógico que para o usuário que está colocado no interior do edifício, essa questão é secundária, mas para o arquiteto, com a linguagem cada vez mais elaborada, cada vez mais complexa, fica o desafio de buscar uma solução nova.

Foto: Iraisi Gehring

 

 

 

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